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May, 2005 O Lençol BrancoEla acordou naquela manhã com o cheiro da maresia entrando pela porta. Quando ela abriu os olhos, pôde ver um pedacinho daquela areia branca se estendendo pelo horizonte. A porta que dava acesso à varanda estava semi-aberta, mas ela já sabia como era a vista de lá. Sabia que se fosse até lá, veria uma praia extensa e vazia. Nada além de uma deliciosa fina areia branca e as ondas do mar, batendo e levantando aquela fumaça. O cheiro da maresia vinha com força. Era como se ela atingisse uma parede a centenas de quilômetros por hora. Uma parede de vapor com cheiro de água salgada. Aquela vista era perfeita! A imensidão do oceano logo à sua frente. Mas ela não queria aquela vista naquela hora. Já vira isso antes. Ela queria continuar deitada, naquela cama macia, enrolada naquele lençol branco. Aquele lençol branco e cheiroso sob o qual passara a noite deitada. Uma noite que a fez sentir viva. Uma noite de muito carinho e calor. Ela não queria lembrar do passado. Ela só queria saber do futuro. E o futuro dela era aquele momento. Aquilo que ela estava vivendo. Não queria nada mais além daquilo. Tivera uma noite muito gostosa. Romântica e carinhosa. Amou como nunca tinha amado antes. E acordou se sentindo amada e amando. Se ela fechasse os olhos, poderia se lembrar do toque dele. Do cheiro dele. Do peso dele. Da forma como ele a beijou. Da forma como ele a acariciou. E tudo o que ela queria é que aquilo se repetisse por todas as noites da sua vida. Alí mesmo. Naquela mesma cama. Naquele mesmo lençol branco. Claro que o senhor Tempo faria as coisas mudarem. Ele sempre teve esse poder. Depois de alguns anos, além deles dois, uma noite teria uma criança entre eles. Que diria que estava com medo e acabaria dormindo com eles. E depois, viriam mais e mais crianças. Às vezes, elas poderiam ainda vir acompanhadas de um cachorro. Mas isso não importava. Estava em família. A sua família. Uma família que começou naquele lençol branco. Nesse momento ela se sentiu feliz. Se sentiu esperançosa. Sabia que por mais que o mundo fosse cruel, ela poderia ser feliz um dia. Ela estava feliz. Acordou com um sorriso no rosto. Um sorriso que traduzia tudo pelo qual ela tinha passado, pelo qual ela estava passando e pelo qual ela iria passar. Foi nesse momento que ela se lembrou que não estava sozinha. Ele estava lá com ela. Passara a noite inteira aos seus braços. Então ela decidiu virar de lado para vê-lo. Quando o fez, viu que ele já estava acordado. Ele estava com a cabeça apoiada na mão e ela apoiada no travesseiro. Estava com um singelo sorriso no rosto, sem camisa, olhando pra ela, enrolado naquele lençol branco. Então ele disse: - Bom dia, meu amor! E foi aí que ela sentiu que poderia ser feliz pro resto da vida. Tudo graças àquele leçol branco. (por Diogo Assis) Comments (6)
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